10ª edição do SOU + WEB – Privacidade na Era da Intimidade Coletiva
Quem achou que seria um #soumaisweb papo-cabeça-sobre-direito (como ouvi alguns comentando) se enganou completamente. E se você deixou de ir por isso, arrependa-se amargamente (ok, posso esperar você voltar ao normal).

Palestrantes Sou Mais Web - Fonte: @dnadigital
“Se você não quer que algo se torne público, não faça!”
A principal discussão foi em torno de como tudo o que fazemos pode acabar na internet, hoje e cada vez mais deixamos rastros, fornecemos informações (querendo ou não), e como as gerações futuras cada vez menos terão controle sobre o tipo de informação “particular” que estará na web.
A mediadora deste evento foi a @deathompson, e, diga-se de passagem, o fez muito bem, com perguntas pertinentes e mantendo os palestrantes dentro do tempo de maneira organizada.
“Todos deixam rastros na web.”
A primeira palestra foi com a @fernandabruno que começou falando a respeito de como deixamos rastros e informações pessoais graças aos novos recursos tecnológicos. Citou também o Club Nexus e alguns dados sobre esse projeto idealizado pelo criador do Orkut, Orkut Buyukkokten, para exemplificar como as empresas podem utilizar essas informações capturadas em redes sociais para formar perfis de consumidores. Chegamos à conclusão que esses perfis são o principal ativo das empresas proprietárias de redes sociais e ferramentas que facilitam o nosso cotidiano. Ficou claro também que os grandes facilitadores somos nós que, na necessidade de aceitação social, deixamos todo tipo de informação pessoal à mercê dessas empresas.
“O consumidor tem o poder”
A apresentação seguinte foi do @claudiohanning sobre o “Novo Paradigma entre as Marcas e os Consumidores”. Claudio iniciou falando sobre o papel do consumidor moderno, como deixamos de ser meros coadjuvantes e passamos a ter voz ativa na relação de consumo. Lembrou também da necessidade das empresas de começarem a pensar e agir como pessoas para estarem mais próximas dos usuários, afinal: pessoas confiam em pessoas e cada vez mais transformamos e somos transformados pelas informações que compartilhamos.
Aguns cases citados pelo Claudio como exemplos:
Comcast - Um consumidor irado relata a saga de um técnico, veja para entender:
Após este episódio a Comcast resolveu participar de mídias sociais.
EA Sports – Um gamer relata num vídeo que há um mal funcionamento (glitch) no Tiger Woods 09, jogo de golf da EA Sports. A empresa responde com outro vídeo. Sensacional!
“O direito contemporâneo lida com o paradoxo entre confiança e risco. Mais continuamente sob a espada do risco.”
Como já esperado, @marcelothompson iniciou a palestra “Erros Eternos e o Direito da Bagunça” abordando assuntos extremamente sérios [ironia mode: on] como Cicarelli (sem trocadilhos, por favor) e Bagunça´s law (segundo ele, a bagunça é um problema que o direito tenta resolver) [ironia mode: off]. O principal assunto abordado na palestra foi a fronteira entre o público e o privado no espaço público e o case que melhor ilustrou e gerou discussões foi o do tio do ônibus, de Hong Kong:
Marcelo explicou que as pessoas são julgadas por poucas ações na internet e não por um contexto de vida. No caso do tio, por exemplo, ele foi julgado pelo momento que foi filmado no ônibus e dali as pessoas já geraram um preconceito. Depois, quando foi entrevistado, o tio revelou que estava no telefone com um tipo de serviço contra suicídio, ou seja, ele passava por um momento difícil que gerou aquela reação, mas fora de contexto dava margens a qualquer tipo de interpretação (as piores possíveis, claro). Temos que perceber a história como um todo, indagar qual o papel do direito na busca do conhecimento da verdade e na interpretação do conceito social mais amplo. A partir do momento em que a tecnologia entrou nas nossas vidas e passou a fazer parte do tecido social a privacidade tornou-se algo cada vez mais raro e um dos nossos maiores ativos.
Thompson afirmou que o direito contemporâneo está cada vez mais subjetivo e cada caso deve ser analisado individualmente. Além disso, deu destaque a alguns pontos:
- Viver honestamente é o princípio primeiro do direito, implica em agir de modo coerente e entender a íntegra normativa.
- Nesses casos de não concordância por parte do personagem da história, ele teria que provar que o vídeo é ofensivo e não há interesse público sobre o assunto.
- A questão principal é: há ou não interesse público? Ainda assim, em que medida o julgamento de última instância pode ser assim? Em que medida a pessoa pode ser execrada pela sociedade?
Este #soumaisweb surpreendeu a todos positivamente e acrescentou muito a quem estava presente. Espero que com o pouco que consegui compilar acima vocês possam ter uma ideia do que foi o evento. Até o próximo post!
Ficha técnica do #soumaisweb – Privacidade na Era da Intimidade Coletiva:
Mediadora: @deathompson
Palestrantes e links para seus PPTs:
@fernandabruno – Privacidade e Mineração de Dados
@claudiohanning – Relacionamento – o Novo Paradigma entre as Marcas e os Consumidores
@marcelothompson – Erros Eternos e o Direito da Bagunça
Link da transmissão AO VIVO (via @bigdigo) no qik.com: http://qik.com/video/2866470
Confira as fotos no Flickr do @dnadigital
Hashtag do Sou Mais Web: #soumaisweb
Comentários do @ninocarvalho no Gengibre:
Mais informações diversas (via @cristianoweb)
- 431 citações no Twitter, contra 868 da 9ª edição (fonte: Blablabra)
- média de 16 citações feitas por cada usuário, contra 55 da 9ª edição (fonte: Blablabra)

